segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

De mais ou a menos?


Vale a reflexão, afinal, um ano a mais, ou um ano a menos? ponto de vista é o que define quem somos, o que nos difere um dos outros.
Sentada observando o céu meio as árvores de um parque me peguei pensando, será que nós talvez nos apeguemos demais as pessoas? ou será que nós somos tão frios quanto ao afeto que nos apeguemos a menos as pessoas.
Cada um tem seu ponto de vista quanto a questão, assim como tudo, o meu é que: cada pessoa tem um jeito diferente de relacionar, de iniciar uma amizade, de dar continuidade a ela, de fazer com que o fechamento da amizade seja tão glorioso quanto o começo. Eu, particularmente, me apego rapidamente à todos, e isso talvez seja de mais pro meu psicológico, talvez de menos para minha vida.
Se pararmos para refletir por 1 minuto a quantidade de pessoas sofrendo nesse exato momento por desafetos, pensamos que, talvez milhares estejam chorando no momento, alguns por serem abandonados por seu grande amor, outros por não conseguirem sentir algo reciproco pela pessoa amada, alguns pela perda de seus entes queridos, e outros apenas por serem privados de estarem perto fisicamente daqueles que tanto amam.
Após essa breve reflexão vamos ao meu resumão de ano, férias, sentimentos sempre afloram em mim, e dessa vez quero dizer que, estou curtindo cada segundo, não vejo a hora de entrar na faculdade, porém não me apresso para que as aulas comecem, afinal, porque socializar tão cedo se posso apenas me afogar entre minhas séries, episódios, episódios e mais episódios.
Digo à todos que meu ultimo ano de ensino médio não foi nem um pouco fácil, longe disso, porém após conclui-lo veio a gratificação, posso dizer que hoje estou realizada, cumpri com todos meus deveres, tirei todas minhas dúvidas, e mais, matei todas minhas curiosidades (ou quase todas).
Me propus nesse ano de 2014 à ser a mesma menina do ano de 2012, e não só fui ela, como também uma nova versão de mim mesma, uma versão mais madura, mais experiente, mais disponível a conhecer novas pessoas, novos meios de interação, uma pessoa capaz de receber ordens, uma pessoa que descobriu que pode se questionar, sem que deixe os outros "incomodados" com suas indagações.
Começamos pelo inicio, quieta, aulas escorrem durante a manhã toda, meus sonhos correm soltos durante a tarde, e a noite me dedico ao que faço de melhor, mergulhar a cara em livros e mais livros em busca de ótimas notas, uma eminente aprovação na tão almejada faculdade. ATÉ QUE, chega a hora do nosso querido e temido ESTÁGIO, inicialmente, curtindo tudo o que era me proposto, com os olhos brilhantes de esperança que eu aprenderia o máximo possível, rodeada de tantos profissionais qualificados que ficava perdida diante à tantas perguntas, tantas propostas de pesquisas, tantos auxílios. O objetivo desse texto não é detalhar cada fase do meu ano, posso dizer apenas que meu estágio serviu para um crescimento pessoal incrivelmente incrível, porém com ele trouxe algumas dificuldades, mal estares que não precisariam ser vividos. Partindo do ponto em que trabalhar, estudar e ter uma vida social ativa é um problema que implica a maior parte da sociedade, pois bem, eu não diferente passei por esse problema, e diga-se de passagem, consegui superá-lo. Minhas notas não foram as melhores, meu TCC não foi impecável, meu comportamento poucas vezes deixou a desejar, mas sou grata a todos os momentos, minhas notas não me deixaram por deixar, foram sempre extremamente satisfatórias aos olhos de quem saía às seis horas da manhã de casa, e voltava totalmente sem forças às oito horas da noite, depois de um dia cansativo de estudo e trabalho. Meu TCC entre os melhores, com meu esforço de faze-lo individual, fazer uma das melhores apresentações da turma, participar de um congresso internacional, onde meu artigo foi publicado duas vezes, isso mesmo, uma iniciação de 9 meses (uma gestação que me livrei) com o rendimento de um artigo publicado em dois lugares, tinha como ser melhor? Tinha sim, meu comportamento na escola ficou cada vez melhor, os professores amavam me dar como referencia pra turma, eu me comunicava com todos sem problemas, participava de atividades na sala sem grandes dificuldades.
Por fim, veio o vestibular, quando você se pega pensando que em dois dias seu futuro de cinco à seis anos, ou até mesmo o resto da vida, pode ser decidido, você começa a se sentir pressionado, pois foi isso que me ocorreu, vendo todos em minha volta tão pouco preocupados com o que o futuro estaria guardando pra eles, fiquei tão abalada que parei de pensar também, foi ai que vivi os melhores e piores 3 meses da minha vida.
Entre uma balada e outra, entre uma lata e um copo, entre uma boca e um peitoral, entre dias chapada e dias bêbada, assim foram esses 3 meses, podemos parar pra pensar que é uma grande bobagem ficar nessa situação por uma aprovação no vestibular, mas eu não penso assim. Conheci pessoas maravilhosas durante essas saídas, fiz melhores amigos, que foram embora assim como meu vicio por bebidas. Beijei bocas que nunca imaginaria beijar, fiz coisas em banheiros públicos e privados, que olha, se eu me lembrasse de todos os detalhes talvez ficaria corada. Mas afinal, qual é o sentido da vida se eu não puder ter direito sobre meu próprio corpo? sobre minhas próprias escolhas? o que será de mim se não eu mesma?
Termino o ano deitada em um sofá, sozinha, afogada em minhas séries, me pergunto o por quê, e logo tenho a resposta em mente, porque eu quis, porque sou alto suficiente para arcar com meus atos, porque eu escolhi isso, porque eu quero viver assim, porque eu gosto de viver assim, e acima de tudo, porque eu sou assim!
O que eu espero de 2015? inúmeras coisas, mas primeiramente minha aprovação no vestibular. Sobre minha pré determinação de perfil para esse ano? Pois bem, quero e vou ser aquela que estuda, tira todas as notas possíveis, aquela que sempre fui, que seu maior hobbie é estudar, que seu maior desejo é a sabedoria. Porém, com uma nova versão já atualizada, quero sair para todas as festas que tenho direito, beijar todas as bocas que eu desejar, ficar sem dúvidas muito bêbada a ponto de não ter filtros, e assim conhecer os melhores amigos, quero curtir, quero a vida, quero ser da vida, e que ela seja minha também!


*Nota-se que a menina do bosque cresceu, quem antes sentava em pequenos banquinhos de madeira para observar raposas pegando coelhos, agora observa mulheres pegando mulheres.